Por Marizé Vieira
Segundo a Bíblia, o homem foi criado do barro, e de uma de suas costelas, surgiu a mulher. Desde então, a mulher, como ser social, carrega um estigma. A interpretação errônea da ordem divina de que a mulher deve obediência ao homem, tornou-se um fardo ao longo dos séculos, carregado com muita luta até os dias atuais.
Da figura primitiva, na qual era colocada como um simples objeto de prazer, a figura de uma sociedade em formação, na qual se tornara instrumento de reprodução, ao que hoje tenta tomar um lugar digno na sociedade, que imputa barreiras, estas sempre difíceis, mas não impossíveis de se saltar.
Segundo Barbieri (1991), "ao procurar controlar o corpo da mulher também se visa o controle e a direção do seu próprio trabalho, o que seria uma das necessidades daqueles que querem evitar que estas tenham possibilidade de controlar a sociedade ou exigir reconhecimento de suas funções".
Já se passaram 100 anos do histórico dia 8 de março de 1857, quando cerca de 130 tecelãs de uma fábrica em Nova Iorque (EUA) entraram em greve, reivindicando um diminuto em sua carga trabalhista de 16 para 10h, um salário melhor e dignidade. Trancadas dentro da fábrica, foram queimadas, morrendo carbonizadas. A data tornou-se, 63 anos depois, memorial da luta feminina, sendo instituído o dia internacional da mulher, data oficializada em 1975, pela ONU. O dia da Mulher surgiu assim, de uma luta por direitos, no qual não se pedia simplesmente igualdade, mas dignidade, o direito de ser considerada gente.
A sociedade moderna trouxe consigo não apenas adventos tecnológicos, mas oportunidades, essas antes mais que oprimidas, da mulher lutar por direitos, talvez não iguais ao homem (não querendo ser machista), mas direitos de também ter voz perante a sociedade em que vivemos, julgada democrática, em que o povo, a mulher fazendo parte dele, tem voz.
Para Paiva (1989), "as mulheres devem cumprir hoje todas as tarefas antes desempenhadas apenas pelos homens, mas deseja-se que mantenham todas as suas velhas atribuições e aquela mesma feminilidade a elas atribuída historicamente".
Dizer que hoje a mulher conquistou seu lugar na sociedade seria no mínimo um equívoco. A luta por um lugar digno continua. Preconceitos ainda são levantados diariamente. Para muitos, o lugar da mulher é apenas em casa, construindo e cuidando de uma família. Porém, junto com a modernidade das coisas, a mulher também quer evoluir, não saindo de seu papel importante no seio da família, mas também adquirindo direitos fora dela, seja ele no meio acadêmico, esportivo, empresarial, político etc.
Referências
BARBIERI, T. Sobre La categoría género. Una introducción teórico-metodológica. In: AZEREDO, S. & STOCKLE, V. (org). Direitos Reprodutivos. São Paulo, FCC/DPE, 1991, 25-45.
KNIJNIK, Jorge D., VASCONCELLOS, Esdras G. Sem impedimento: o coração aberto das mulheres que calçam chuteiras no Brasil.
PAIVA, V. Evas, Marias, Liliths… as voltas do feminino. São Paulo, Brasiliense, 1989.







