21/12/2009

Benza Deus!


Ao que parece a moda de apelar à religião chegou pras bandas de cá, e quem aderiu foi nossa excelentíssima usurpadora, ops! Governadora Roseana Sarney. Na noite da última terça-feira, 15, muitos fiéis da Igreja Assembléia de Deus de Imperatriz receberam a ilustre visita no Templo Central.

Este fenômeno sócio-político-religioso tem se tornado cada vez mais latente. O crescente envolvimento de igrejas de forma direta, no processo sucessório político-administrativo já é quase sinônimo de sucesso.

Em vésperas de ano eleitoral, esse jogo político pode gerar sérias implicações, principalmente se levarmos em conta o crescente número de evangélicos em Imperatriz, especialmente da igreja em questão, que é a maior em quantidade de membros e templos em nossa cidade.

Considerando que a religião, em seu fundamento, é essencialmente "temor de Deus", de que modo se pode intervir nesse sentimento humano? Como é possível fazer dela a alavanca capaz de produzir comportamentos individuais e coletivos politicamente úteis?

Dessa forma, a religião se constitui um meio de persuasão privilegiado do qual os governantes podem dispor para fazer com que o povo admita um bem do qual a razão, tão somente, não bastaria para convencê-lo. É um fenômeno irracional, mais poderoso sobre o espírito do povo do que a própria razão, fenômeno este, cuja utilização prudente torna-se a garantia mais segura do êxito do Estado.

Benza Deus que mesmo sendo os evangélicos um povo conhecido por sua submissão à liderança, a reação à presença da Governadora, anunciada pelo pastor da igreja, não foi 100% receptiva. Muitos dos presentes nem sequer levantaram. Aplausos? Tampouco!


Referências:

*MACHIAVELLI, Niccolò. Discorsi sopra la prima deca di Tito Livio. In: MARTELLI, Mario (Ed.). Tutte le Opere. Firenze: Sansoni, 1992. p. 73-254.
*NAMER, Gérard. Maquiavel ou as origens da sociologia do conhecimento. São Paulo: Cultrix, 1982.

*Imperatriz na tela

8 comentários:

  • Ricardo says:
    21 de dezembro de 2009 21:29

    Esta é mais uma daquelas matérias que merecem aplausos! Parabéns!

  • Holden Arruda says:
    21 de dezembro de 2009 21:50

    é porque vocês não ficaram até o final do culto. teve até testemunho da governadora que disse: pedi a Deus para aquela chuva parar e ele me ouviu, aleluia!

  • Prí says:
    21 de dezembro de 2009 21:55

    Rum... Sério Holden?
    Morro e não vejo tudo!
    Agora binhí...
    rsrs

  • João victor says:
    21 de dezembro de 2009 21:59

    E os tambores de codó? Que bagunça é essa agora? hahahaha, Roseana? Num púlpito de uma igreja protestante? É muita cara de pau mesmo ¬¬'

  • luciana says:
    21 de dezembro de 2009 22:00

    kkkkkkkkkkkkk E os tambores de codó [2]?

  • Nando's says:
    22 de dezembro de 2009 09:01

    Texto maravilhoso galera! Quanto à dita cuja aí... óleo de peroba para ela!

  • Fernando Costa says:
    22 de dezembro de 2009 14:23

    e ainda tem gente que morre por ela!
    olha lah se nao chegar um aqui...

  • Juliana Carvalho says:
    25 de dezembro de 2009 18:11

    E nós nos rendemos a um lado ou outro...AMÉM!