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Loucos por amor, viciados em novela

terça-feira, 22 de dezembro de 2009


O século XX foi marcado por um movimento da unificação de informação em todos os continentes do mundo. A comunicação foi fundamental para que isso acontecesse. Nisto, a mídia ganha uma função de referencia e um papel mediador social, passando a organizar o mundo.

Tomando como base dessa discussão as telenovelas, vemos claramente o poder de um produto midiático, que reúne em si discussões políticas, moda, comportamento e economia. Essa diversidade de temas e a aproximação que eles geram no público faz destas o maior produto midiático da pós-modernidade no Brasil.

Brasileiro é culturalmente noveleiro. A tradição de sentar na frente da Tv para acompanhar os folhetins já é uma herança passada dos pais aos filhos. De tão apaixonados por novelas, o produto Made in Brazil já virou artigo de importação, e dos mais solicitados!

Um fato curioso aconteceu no ano 1995, quando muçulmanos da Bósnia-Herzegovina lutavam pela independência contra os sérvios. Quase 200 mil pessoas haviam morrido e 2,5 milhões não tinham mais casa. Em uma semana “especial”, porém, a guerra parou de repente. O motivo não era um acordo de paz mediado pela ONU nem a rendição de um dos lados. Mas a novela Escrava Isaura, em sua última semana. Apesar dos horrores do conflito, os dois lados pararam para ver o desfecho do folhetim.

O mundo adora as novelas feitas no Brasil – e os brasileiros também. Quase metade do dinheiro que se ganha com televisão no Brasil vem delas. Desde 1963, quando estreou a primeira novela diária da TV, já foram produzidas mais de 400 tramas no país, cada uma com média de 200 capítulos. Em todo o planeta, dois bilhões de pessoas têm costume de sentar para assistir a novelas.

Temas polêmicos como drogas, preconceitos, violência e ética são assuntos de interesse público, e assim, quando retratados nas tramas televisivas, atingem grande parte dos telespectadores, pois se assemelham ao cotidiano vivido por cada um.

No ar, a telenovela de Manuel Carlos “Viver a vida’ traz à tona temas que sensibilizam muito o público. Como foco, o drama dos deficientes físicos por meio da personagem de Aline Moraes – Luciana, que vitimada por um acidente fica tetraplégica.

Além deste, destacam-se os problemas familiares, brigas entre irmãos, adultério, romances conturbados, e assuntos mais graves como anorexia – representada no personagem de Bárbara Paz, Renatinha.

As telenovelas são muito utilizadas para incentivar o consumo. A produção de cd's com a trilha sonora, roupas e adereços utilizados pelos personagens, entre outros, viram moda e acabam movimentando cada vez mais o comércio.

É por essas e outras que as telenovelas são um verdadeiro vício na vida dos brasileiros, padronizando comportamentos, influenciando opiniões, e, sobretudo abastecendo a chamada Indústria Cultural. Este produto midiático capaz de manipular o telespectador a seguir padrões pré-estabelecidos se torna uma espécie de droga viciante, que consumida em pequenas (ou nem tanto) doses diárias, pode gerar sérios problemas de dependência e alienação.


Fonte: Superinteressante

6 comentários:

gilbert disse...

Muito bom post. Parabéns a quem escreveu. Um bom texto precisa de bons embasamentos e boa pesquisa. Para complementar, as novelas fazem parte da "cultura de massa", hoje não tão estudada pelos comunicólogos como deveria ser, enfim....
Mas acredito que temas ditos polêmicos poderiam ser mais explorados pelos folhetins, para podermos romper de vez com os paradigmas e as hipocrisias sociais.

22 de dezembro de 2009 22:53
Caty disse...

As novelas do Manuel Carlos costumam ser verdadeiros relatos da vida real, daí o sucesso e a empatia com o público.

23 de dezembro de 2009 20:07
João victor disse...

Que são boas são. Mas que tem um poder para manipular, ah isso tem viu? O pior é que é de uma forma muito sutil...

24 de dezembro de 2009 08:57
rocky disse...

Eu não dou ibope. Mas tenho que admitir, minha familia dá, e muito! Eu acho o maior desperdicio de tempo, mas fazer o que? Se a religião já foi o ópio do povo, acho que hoje ela disputa pau a pau com a Tv, no caso, com as novelas...

24 de dezembro de 2009 09:03
Nando's disse...

Verdade que brasileiro é viciado em novela. Por aqui qualquer modismo propagado nos folhetins vira febre nacional "arebaba". Só que do mesmo jeito que chega, passa... graças a Deus rsrs!

30 de dezembro de 2009 11:35
Ricardo disse...

Ah eu gosto!
Entretenimento, vez em quando é bom sabe?

30 de dezembro de 2009 11:41
 

2009 ·Agora Binhí! by TNB